srlm às 08:22
numa aparição recente, mark zuckerberg mostrou o que alguns passaram a denominar de símbolo do culto de facebook… que resume, nas palavras inscritas no anel azul escuro, o lema da rede: facebook, construindo um mundo mais aberto e mais conectado.
o tal símbolo é confuso [e polêmico] mas parece expressar três coisas: a empresa [e a rede, e o valor] se constrói ao redor de um grafo [graph, ou rede] social [gente, conectada], de fluxosde informação circulando neste grafo [streams], sobre e/ou sob os quais é provida uma plataforma de funcionalidades que tratam a rede e seus fluxos e que pode ser usada interna ou externamente. tal plataforma é responsável por transformar facebook no que poderíamos chamar de uma máquina social [veja mais sobre o conceito aqui, como parte de um trabalho que estamos fazendo na UFPE e c.e.s.a.r].
contrapondo os desejos institucionais revelados em suas missões, google quer organizar [toda a informação] e facebook quer conectar [todas as pessoas. a “organização”, no modelo proposto por google, depende de como pessoas [e sistemas] conectam a web, pois assim funcionam os algoritmos fundamentais de google. só que, cada vez mais, as pessoas se “conectam” através de facebook [quase 600 milhões delas] e tal informação não está disponível [via de regra] para ser organizada [por google], primeiro porque é fechada… segundo porque a microsoft é acionista da rede social: comprou 1,6% em 2007, quando facebook valia perto de US$15B. hoje, a companhia de zuckerberg está avaliada em US$41B. só pra comparar, a microsoft está valendo US$224B, google US$190B, amazon.com US$71B e eBay US$39B.
depois que se tornou claro que ”tudo é social”, até porque sempre foi, no mundo real e em pequenos grupos, e depois passou a ser, na rede, quando se descobriu que as pessoas estavam dispostas a compartilhar –para boa parte do mundo- muito mais do que os textos em blogs e fotos das férias… a grande batalha da web passou a ser pelo universo das conexões, pelo domínio das redes formadas pelas pessoas [como o “graph” de facebook], pelos fluxos de informação nestes grafos [os “streams” de facebook] e, pra quem viu isso chegando, pela oferta e provimento de uma “plataforma” que junte os dois e habilite funções de mais alta ordem.
facebook viu isso antes dos competidores e tem tido a competência de realizar –com todos os problemas que conhecemos- tal visão com a velocidade necessária para deixar a competição como que paralisada. o lançamento de facebook messages, o “emeio de facebook” [que não é emeio… mas um “social inbox”, não por acaso integrado ao office online] é mais um passo na implementação da estratégia; e é capaz de separar ainda mais, no campo da conectividade, facebook dos rivais. segundo o washington post, o objetivo estratégico de facebook é ser “a central” das mensagens, algo comparável ao monopólio que a AT&T detinha nos bons e velhos tempos do telefone.
facebook não apareceu com um sucessor para emeio, é o que todos dizem. mas está mudando as regras do jogo, ao unificar no mesmo fluxo [e sob umgrafo gigantesco, dentro da mesma plataforma], SMS, chat e emeio. e esta mudança de regras pode mudar o mundo da informação social e, quem sabe, tornar emeio irrelevante para um grande número de pessoas.
num passado distante, a AOL já tentou ser “a rede”; na verdade, tentou ser toda uma “internet separada da internet”. há quem diga que é isso que facebook está tentando ser, agora. olhando só para emeio, os números são variados e inconsistentes, mas hotmail [da sócia, microsoft] disputa o primeiro lugar com yahoo [com quem a microsoft tem acordos…] e gmail está em terceiro lugar. nenhum dos tres tem nem perto do número de usuários de facebook.
isso pode ser [principalmente se a microsoft for parte da estatégia de facebook] a chave para facebook, mesmo “sem querer”, criar um sucessor para emeio.
e também pode ser parte do processo para “conectividade” dar um passo à frente de “organização” e, através de sua forma peculiar de codificar o mundo [veja mais neste post] criar sua própria interpretação e organização do tal mundo. parece incongruente, mas não é. até porque o mundo online, mesmo aparentemente plano e desordenado, está cheio de picos. este blog falou sobre o assunto [em série] aqui, aqui e aqui. boa leitura.
e vamos esperar pra ver se a “conectividade” vai desorganizar, nem que seja um pouco, a “organização”.
Fonte: Terra Magazine
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