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Sunday, November 21, 2010

Carlos Junior acaba de lançar o ''Só agora', primeiro site de compras coletivas voltado para Classe C/Foto: Simone Marinho - O Globo

Empresários investem em segmentos de negócios para a classe C


RIO - Para acompanhar as expectativas de consumo dos cerca de 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe C entre 2003 e 2009, pequenos e médios empresários têm investido em serviços inovadores - e antes inacessíveis ao grupo - a preços para lá de convidativos, que não pesam no bolso. Além do potencial de atração de novos clientes, o resultado dessa combinação tem rendido aumentos expressivos às vendas e necessidades de expansão das operações, como mostra matéria de Paula Dias, publicada neste domingo no Boa Chance.
Formado em análise de sistemas pela PUC-Rio, Carlos Junior, de 34 anos, faz parte do time de empresários que aproveitaram a onda para empreender. Diretor da agência de marketing digital Clicksoft, ele acaba de lançar o Só agora, primeiro site de compras coletivas voltado para quem não tem muito para gastar. Em apenas duas semanas e meia no ar, o projeto - que oferece descontos que variam de 50% a 80% - já conta com mais de dois mil usuários cadastrados.
O conceito é o mesmo dos outros sites de compras coletivas, com a diferença de que o Só agora apresenta, diariamente, mais de uma oferta por região. Enquanto uma é voltada para Barra e Zona Sul, a outra é direcionada à Baixada.
- O site foi criado para atender não só ao público da Barra e da Zona Sul, mas principalmente da Baixada. Quem mora na região tem grande potencial de consumo, mas poucas opções de ofertas. O site chega para suprir essa demanda - diz Junior, que tem MBA em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Empresário Mário Vilas Boas, dono das academias Upgrade, em Botafogo, e Tônus, em Rocha Miranda/Foto: Simone Marinho - O Globo
De olho nesse mercado desde os anos 80, o empreendedor Mário Vilas Bôas aproveitou o que aprendeu na faculdade de educação física para abrir quatro academias para a classe C, sendo três na Zona Norte e uma na Zona Sul. Para se ter uma noção do quanto a ideia deu certo, a Tônus, em Rocha Miranda, onde a mensalidade gira em torno de R$ 45, apresenta crescimento mais expressivo do que a Upgrade, em Botafogo, onde o valor é R$ 116. A explicação está no baixo custo da montagem e das operações.
- Pago R$ 13 mil de aluguel em Botafogo, mais R$ 6 mil de condomínio. Já em Rocha Miranda, condomínio e IPTU somam R$ 3.700. Meu lucro acaba sendo maior onde os alunos pagam menos - ressalta Vilas Bôas.
Direcionada a jovens de 15 a 25 anos, a rede Microlins, de ensino profissionalizante e informática, estima que 70% dos 200 mil alunos que têm hoje em suas 700 unidades pertencem à classe C. A empresa, criada em 91, investe forte no segmento oferecendo 40 cursos com duração que varia de seis a oito meses, com mensalidade média de R$ 100.
- Nossos serviços são voltados para quem não têm condições de pagar universidade particular ou entrar na pública - explica o diretor de Operações Guilherme Maynardi, acentuando que a Microlins começou investindo em informática e, após oito anos, ampliou o portfólio com cursos administrativos e de idiomas. - Foi quando passamos a atrair esse público, interessado em conseguir um emprego rapidamente.
Leia a matéria na íntegra no Globo Digital (versão exclusiva para assinantes).
Fonte: O Globo

As vantagens do uso de redes sociais nas empresas

O uso competente das ferramentas ajuda empresas a crescer, popularizar-se e firmar o lugar no mercado

Marcus Vinicius Pilleggi
Redes sociais como o Twitter, Orkut e Facebook valem ouro. São ferramentas cada vez mais populares na internet e um fenômeno tão recorrente e forte que não pode passar despercebido pelaspequenas e médias empresas. 
Dados de uma pesquisa realizada pelo Altimer Group e Wetpaint para a revistaBusiness Week com as 100 empresas mais valiosas ao redor do globo mostraram que os empreendimentosque investem em mídias sociaisapresentam melhores resultados ereceitas finais mais recheadas. Em média, empresas que investiram em mídias sociais cresceram 18% em um ano, enquanto aquelas que investiram pouco nas redes tiveram queda de 6%, em média, em suas receitas no mesmo período. 

“É preciso alertar as empresas, de quaisquer portes, para a eficiência e relevância das redes sociais”, diz o especialista em tecnologia de informação Luís Fuzaro. “Há um benefício bastante grande em usar esse tipo de tecnologia porque agiliza os processos de negócios”, completa. Para o especialista, as redes sociais, desde que utilizadas adequadamente, evitam duplicidade de informação, aumentam o trabalho colaborativo e melhoram os repositórios para criar um conhecimento coletivo da empresa. 
Segundo Fuzaro, melhorar o conhecimento coletivo é essencial para criar potencial e diferencial competitivo. “A empresa consegue melhorar os custos e a agilidade de processos de negócios”, afirma.

Para o pequeno empresário, o uso dessas ferramentas pode ser aproveitado para uma série de fatores. Para Fuzaro, é pertinente ao pequeno empreendedor investir nesse tipo de tecnologia porque essas redes permitem expansão do mercado, melhor relacionamento com os clientes e fornecedores e redução de custos, sem falar no uso possível para campanhas de marketing. “Ainda, não podemos esquecer que empresas mais alinhadas com o uso de novas ferramentas e antenadas no avanço tecnológico acabam atraindo mais recursos”, completa.

A seguir, veja casos de empresas que usam ferramentas sociais e suas experiências com elas. 



Parte 02:



Empresa online de turismo faz contato entre clientes e hotéis com uso de redes sociais Agência faz até duas mil reservas por dia e tem parceria com mais de mil hotéis no Brasil e 70 mil no exterior
  Divulgação
Francisco Millarch, fundador do Mala Pronta, "A internet tem muito potencial"
A agência de viagens Mala Pronta foi fundada em 2004 para ser uma empresa online que atende turistas de lazer ou negócios no Brasil e no exterior. Ela age como intermediador entre clientes em potencial e hotéis, mas só recebe o pagamento – que vem do hotel - quando a diária é paga. O diferencial é que o cliente não precisa pagar nada para a agência, que começou trabalhando com apenas algumas empresas de hospedagem e hoje já faz a ponte para mais de mil hotéis dentro do Brasil e 70 mil no exterior.

A Mala Pronta aposta no uso de redes sociais, principalmente o Twitter, Facebook e blog, para se relacionar com seus consumidores, aumentar a clientela e garantir mais informações. E como faz o link direto do cliente com o hotel, o próprio hotel acaba usando, indiretamente, as redes sociais. A Mala Pronta possibilita, então, o canal de comunicação entre hóspede e hotel. Graças a esse feedback, muitos hotéis fazem promoções exclusivas para a Mala Pronta

O fundador e diretor da empresa, Francisco Millarch, 37, sabe do poder da internet desde que cursou mestrado em mídias interativas em Londres, na Inglaterra. “A internet tem muito potencial, e acredito que teremos um grande crescimento no Brasil em turismo, por causa disso, acho que esse investimento na internet e nas redes sociais vai ser muito relevante.”, afirma. 
Além de usar Twitter, Facebook e blog para abrir o canal comunicativo com os clientes, a empresa também usa as ferramentas para divulgar promoções de seus parceiros. “No momento em que um hotel passa uma promoção exclusiva para nós, divulgamos no Twitter ou no Facebook e fazemos matéria em nosso blog também. Isso gera uma comunidade online que envolve clientes e hotéis”, afirma Millarch. A empresa também faz uso de newsletters, enviadas para mais de 500 mil clientes que já usaram o serviço da agência.

O Twitter também é utilizado para monitorar e indicar opções aos clientes. “Ficamos espertos com pessoas que querem hotéis em determinados lugares, e quando alguém manda uma mensagem procurando opções, logo depois já lançamos um tweet para essa pessoa falando que tem o hotel tal, em tal lugar”, completa. Essas iniciativas levam clientes para o site da Mala Pronta, que acabam efetuando suas reservas pela empresa.

Francisco Millarch ainda diz ser fundamental abrir o canal de comunicação para o cliente. Essa proximidade permite maior fidelização. “Nunca recebemos reclamações porque não é o nosso serviço, de fato, que estão comprando, e sim o do hotel. Nós fazemos a intermediação e respondemos por isso em nossas redes”, afirma. Dos 25 funcionários da empresa, três são profissionais de comunicação social destinados somente para aadministração das redes sociais.

Millarch é categórico: “As mídias sociais ajudam a fortalecer a marca e divulgá-la, é um diferencial muito importante”. Essas iniciativas garantiram um crescimento muito grande da empresa em pouco tempo. Com um investimento inicial de R$ 50 mil, o empreendimento registrou, no ano passado, um faturamento de R$ 25 milhões, um crescimento de 400% em relação ao ano anterior. Em 2008, o crescimento foi ainda maior, 600%. Mesmo com a ideia de que pequenas empresas crescem mais rapidamente, Millarch admite que “o segredo da internet é ter o capital humano, as pessoas certas”, encerra. 
Parte 03:
Ateliê de bolsas e acessórios divulga processo criativo por redes sociais Sócias utilizam ferramentas de internet para aproximar clientes da marca e criam expectativa antes mesmo do lançamento
  Divulgação
A sede da Adô Ateliê, em Belo Horizonte
As sócias Fernanda Dubal, 28, e Tatiana Azzi, 27, criaram a marca Adô de bolsas e acessórios customizados e feitos à mão há cerca de três anos. Na época, asdesigners industriais divulgavam e vendiam sua marca apenas entre amigos, mas há um ano elas fundaram a empresa Adô Ateliê, em Belo Horizonte.

Para poder iniciar a produção, investiram cerca de R$ 20 mil e estão ansiosas para obter seu primeiro balanço, que deve chegar no mês que vem. Mas as empresáriasgarantem o sensível crescimento da empresa, porque o aumento da demanda se deu não só com clientes individuais, mas também com lojistas. A jovem empresa possui mais de 300 clientes no varejo e trabalha com cerca de dez lojistas em Belo Horizonte e um na Espanha. O clima é de otimismo entre as empresárias, que pretendem expandir para o estado de São Paulo ainda neste ano.

Em parte, o crescimento e fortalecimento da nova marca deu-se justamente em virtude do uso das redes sociais. “Nós procuramos enriquecer e definir não só a marca e o que se passa na empresa, mas também ajudar em uma espécie de guia do estilo de vida dos clientes”, diz Fernanda. A ideia é usar ferramentas como Twitter e Facebook para também veicular notícias que saem na mídia sobre moda e design do Brasil e do mundo. “Fazemos uma espécie de clipping online”, completa Fernanda. Para a empresária essas ferramentas servem como criação de marketing viral, que se mostra cada vez mais eficiente e com baixo custo, o que conjuga com um crescimento maior. 
A empresa também usa essas ferramentas e mais um blog para mostrar aos clientes o que está se passando dentro do ateliê. São divulgados não só lançamentos e promoções da loja online mantida pelas sócias, mas também fotos do processo criativo. “Temos um feedback melhor, por causa da interatividade. Esse feedback existe antes mesmo do produto ter sido lançado”, revela Fernanda. Esse retorno pode até mesmo proporcionar a mudança no produto, caso necessário.

Segundo Fernanda, o blog é muito útil porque ele tem todo o histórico da marca, além da divulgação de eventos, notícias e parcerias. É um background do profissional. “O blog é como um currículo da marca. Ele tem muito peso para nós por causa da maior riqueza dos detalhes que ele proporciona”, garante a empresária.

Para as sócias, as redes são muito importantes em negócios, principalmente de internet, para possibilitar a aproximação do cliente à marca. Fernanda vê o uso das redes como fundamental para as novas empresas atualmente: “As redes fortalecem muito o negócio online e o retorno direto nos proporcionou parcerias e oportunidades”. Para ela, o principal é eliminar muitas barreiras, principalmente as geográficas.
Parte 04:
Redes sociais otimizam atendimento de empresa de TI e melhoram comunicação interna e externa Empresa integrou o Twitter em seus softwares e até quem não tem registro no miniblog recebe as notícias
  Divulgação
Funcionários da Tron utilizam redes sociais interna e externamente
A Tron Informática é uma empresa detecnologia da informação com foco emsoftwares de legislação contábil, fiscal e trabalhista. Diversas redes sociais são utilizadas pela empresa com objetivos divididos e bem delineados. Isso auxiliou não só a melhor capacitação dos funcionários, como diminuiu a demanda por suporte técnico. O pico de chamadas costuma ser em janeiro e no ano passado esse mês registrou um aumento de 40% na demanda por suporte. Depois do uso das redes, a demanda cresceu apenas 13%.

As constatações são do fundador e diretor do grupo Tron, Reilly Rangel. “O que gostei bastante no uso das redes sociais é que deixou nossa pirâmide hierárquica horizontalizada. É fácil falar com gerentes eempregados”, diz o empresário. Ele revela ainda que as redes abrem um canal de comunicação de mão-dupla entre empresa e cliente. Os funcionários podem utilizar Orkut, Facebook, Twitter, Blog, Flickr e Youtube tanto para fins profissionais quanto pessoais. 
O Orkut é usado desde 2004 e nele são divulgadas mensagens diversas sobre a empresa e são feitas enquetes e fóruns, para despertar a curiosidade do cliente. O Facebook tem painel com fórum e discussões e também é usado para divulgação de vídeos produzidos pela própria empresa, tanto institucionais quanto de divulgação. A empresa tem um canal personalizado no Youtube, onde hospeda vídeos sobre a Tron ou feitos por outras pessoas, mas que tenham relação com o tema. O Flickr é um repositório de fotos de eventos e de situações internas da empresa. Finalmente, o blog traz notícias sobre a Tron e opiniões, além de mais conteúdo para explicar qualquer coisa com mais detalhes.

“Buscamos explorar esses meios de comunicação de forma positiva e saudável. O resultado tem sido tão bom que queremos que todos usem”, diz Rangel. A empresa integrou o Twitter em seus softwares para veicular notícias para qualquer um que o utilize. “Dentro do nosso sistema aparece o último post do Twitter, na linha rodapé. Tendo conta no miniblog ou não, a notícia chega para o usuário do nosso sistema”, garante o empresário.

A Tron existe há 18 anos. Começou com dois empreendedores em uma garagem em Goiânia, um da área técnica e outro da área de negócios. Insatisfeitos com o atendimento de empresas de TI, decidiram fundar a deles. Hoje a empresa atende cerca de 4 mil clientes, conta com mais de 200 funcionários espalhados por 11 sedes e fechou 2009 com um aumento de 43% no faturamento. As redes foram responsáveis pela abertura de duas novas empresas no ano passado, em virtude do aumento que elas trouxeram no número de clientes.
 Divulgação
Reilly Rangel, diretor do grupo Tron, "Uso das redes sociais é que deixou nossa pirâmide hierárquica horizontalizada"































Fonte: revistapegn 

Para futurólogo, redes sociais terão mais receita que "velha mídia"

24/02/2010 - 08h40
As mídias sociais, como Twitter e Orkut, deverão crescer mais em receita que os meios de comunicação tradicionais, como a TV e o rádio, diz o pensador alemão Gerd Leonhard, considerado pelo "Wall Street Journal" como um dos mais importantes futurólogos do mundo.
Divulgação
Gerd Leonard, futurólogo alemão que vem ao Brasil falar de negócios e mídias sociais, aposta em integração com mídia tradicional
Gerd Leonard, futurólogo alemão que vem ao Brasil falar de negócios e mídias sociais, aposta em integração de mídias
Segundo ele, as mídias sociais também alteram o molde original da publicidade: em vez de anúncios estáticos, o conteúdo de games, aplicativos e widgets dá o tema para as propagandas bem-sucedidas.
Autor de "Friction is Fiction: The Future of Content, Media & Business" (2009), "Music 2.0" (2008), "The End of Control" (2008) e "The Future of Music" (2005), Leonhard está hoje em São Paulo, onde participa de uma conferência para convidados. Ele também será entrevistado pelo programa "Roda Viva", da TV Cultura.
Na semana passada, Leonhard, 49, deu entrevista por e-mail à Folha Online, e falou sobre mídia, internet, consumo, pirataria e direitos autorais. Confira a entrevista na íntegra.
*
Folha Online - Qual é o papel das mídias sociais (como o Twitter e o Facebook) hoje?
Gerd Leonhard - Twitter, Facebook e Google Buzz são um pouco como redes sociais de notícias. São mais descentralizados e fazem uma companhia perfeita para a mídia tradicional. A TV e o rádio têm largo alcance, mas eles deverão ter que lidar com uma fragmentação completa da sua audiência, e eles realmente terão que abraçar a mídia social (e a troca de ideias que ocorre ali) ou deixarão de ser importantes, cedo ou tarde.
Todo o crescimento será na mídia social, móvel, em tempo real e de vídeo, não na TV e no rádio; meu prognóstico é um aumento em 50% na receita nesta direção. Levou muito tempo, mas quando isso acontecer (entre 18 e 24 meses) será muito maior do que qualquer coisa que nós antecipamos.
Para negócios, a mídia social é simplesmente uma gestão de relacionamento com o cliente, isto é, a maioria do marketing, das relações públicas e das operações tradicionais desse serviço vão ser substituídas pelas mídias sociais.
Marcas vão conversar com seus consumidores via Twitter, Facebook, Buzz ou Orkut. No lugar da comunicação em massa cara, regada por campanhas, a maioria das empresas vai mudar para o marketing de engajamento, atraindo pessoas com valores vigentes, e a mídia social é perfeita para esse tipo de ação!
Folha - Como as mídias sociais influenciam na mudança de conteúdo das mídias tradicionais?
Leonhard - O fato de estarmos conectados agora e de que nós podemos falar uns com os outros, compartilhar facilmente conteúdo (imagens, relatos, música, links), traz grandes mudanças para as indústrias de mídia em todo o mundo.
Esta mudança é quase tão grande quanto a mudança que aconteceu com a invenção da mídia gravada, rádio ou TV. Consumidores conectados são inerentemente diferentes, mais fragmentados, menos fáceis de agradar, mais exigentes, mais obcecados com seu próprio controle, e têm muito mais poder.
Mídias tradicionais devem perceber que este poder está se deslocando para os usuários --antes conhecidos como consumidores-- e qualquer um que se recuse a ver este novo paradigma será considerado inútil (veja o caso das grandes gravadoras).
Dito isso, as mídias de massa vão continuar a ser importantes em conjunto com as mídias sociais --um alimenta o outro; mas os dias de "controle de audiência" estão acabados. Agora, é sobre confiança e compromisso; e sobre converter a atenção em receitas reais.
Folha - Como você enxerga a coexistência entre as mídias sociais e as mídias tradicionais no futuro?
Leonhard - Como TV e internet: convergência completa. A diferença está apenas nas nossas mentalidades: já não somos (apenas) diretores: nós somos conectores.
O futuro pertence àqueles que podem se envolver, criar poderosas histórias cross-media [marketing em todas as plataformas, on-line ou não], e jogar com a audiência.
Folha - O que muda na publicidade e no marketing com as mídias sociais?
Leonhard - Tudo, na verdade. Alguns argumentariam que nós precisamos apenas de publicidade tradicional porque não havia internet, porque não estávamos conectados --e há um pouco de verdade nisso. Consumidores conectados são relutantes a interrupções e têm valores incompatíveis com isso, e vão ignorar tudo que seja desta natureza.
É por isso que propagandas baseadas no CPM [custo por mil, forma de cálculo das mídias tradicionais] na internet nunca vão funcionar da mesma forma que nas propagandas de televisão.
Joel Silva -20.ago.09/Folha Imagem
Conexão e compartilhamento de conteúdo (imagens, relatos, música, links) traz grandes mudanças para as indústrias de mídia
Conexão e compartilhamento de conteúdo (imagens, relatos, música, links) traz grandes mudanças para as indústrias de mídia
A publicidade deve se tornar conteúdo, a fim de ser realmente ser bem-sucedida na internet. Por exemplo, aplicativos para telefones móveis, widgets, games, etc.
Algumas vezes, chamo isso de ContVertising [neologismo que funde as palavras "conteúdo" e "publicidade", em inglês].
Esta mudança está acontecendo agora, guiada pela explosão da internet móvel, e pela mídia social e em tempo real, como Twitter e Google Buzz. A publicidade e o marketing estão sendo reinventados tanto quanto eu escrevo isso.
Folha - Desde a sua primeira obra, lançada em 2005, até então, quais foram as principais mudanças no consumo de informação (música, leitura, mídia) que você constatou? Quais as perspectivas para o futuro disso?
Leonhard - A maior mudança já não é realmente sobre informação --o que foi ótimo ter, há dez anos. Não se trata de música, livros e filmes gratuitos. Trata-se de mérito, qualidade, confiança e relevância.
Não quero apenas da gratuidade ali, quero exatamente o que eu preciso, no momento exato. Pessoas estão dispostas a pagar dinheiro real por grandes experiências, por serviços fantásticos, a entidades confiáveis.
É por isso que os condutores da indústria fonográfica estão guiando-a para os rochedos: eles ainda veem o mundo dos seus pontos de vista, e não a partir dos usuários ou dos artistas --eles se preocupam com a venda de cópias, não com as experiências.
Folha - Como você vê a questão dos direitos autorais na internet?
Leonhard - Os direitos autorais foram significativos para monetizar o conteúdo quando as palavras "direito" e "cópia" ainda eram oportunas. Agora, tudo o que fazemos on-line cria uma cópia.
Por exemplo, [simplesmente] ouvir é baixar, a leitura é cópia, de fato; e nossos "direitos" como autores devem ser revistos para permitir que o ato de copiar ainda exista na lei, mas que haja restituição de forma não-compulsória quando todo usuário conectado puder apenas clicar, copiar e colar.
O copyright era para dar certeza que autores e criadores fossem pagos, não para garantir que intermediários vendam discos de plástico, rastreassem downloads ou dispositivos.
O que nós precisamos agora é adicionar é o direito de uso no copyright, a fim de construir monetização neste acesso. É fazer dinheiro do acesso, não de cópias. Para a música, nós precisamos de uma taxa coletiva, fixa e obrigatória (não imposto!) que faça a música na internet tão legal quanto a música no rádio.
Para que fique claro, o copyright em si é um bom conceito --é preciso apenas adaptá-lo ao mundo atual em que vivemos, hoje!
Folha - Em 1º de julho de 2007, você publicou uma carta aberta à indústria fonográfica independente, citando MySpace, YouTube e Last.fm como modelos de sucesso à não-obediência aos direitos autorais. Hoje, o MySpace passa por problemas financeiros, o YouTube está se adequando às leis de direitos autorais e ao conteúdo profissional. O Last.fm cortou pessoas dos quadros e iniciou cobrança sobre conteúdos. Você ainda mantém a sua posição?
Leonhard - Bom ponto. O que todos os três têm provado é que você não pode inovar a indústria de música sem grandes esforços políticos, ou seja, se a estrutura de licenças, direitos autorais e permissão ficarem na mesma, você realmente não pode espalhar isso com consentimento.
Sherwin Crasto -18.mai.09/Reuters
"MySpace foi bem-sucedido porque eles começaram sem licença, sem permissão de gravadoras, e apenas faziam o que os usuários queriam"
"MySpace foi bem-sucedido porque eles começaram sem licença, sem permissão de gravadoras, e faziam o que usuários queriam"
O MySpace foi bem-sucedido porque eles começaram sem licença, sem permissão de gravadoras, e apenas faziam o que os usuários queriam: compartilhamento gratuito, reunião social em torno da música. Evidentemente, esse caminho foi condenado quando eles foram adquiridos pela News Corp/Fox, isso não podia continuar, eles tiveram que se tornar "legítimos".
O ponto é que, quando a única maneira de inovar significa que você tem que fazer algo ilegal (ou semilegal, como o Last.fm), então algo está errado com o sistema.
O sistema de licenciamento da indústria da música tem que ser completamente revisado e redefinido, para se adaptar a uma economia digital.
A música on-line precisa ser licenciada como o rádio, com licença rentável de compartilhamento, pública e simples, que permita legalidade às companhias desde o início.
Penso que o Brasil seria o lugar perfeito para começar isso --dadas as recentes propostas de uma nova lei de direitos autorais no Brasil [Marco Civil da internet]. As receitas para os criadores serão, em qualquer caso, maiores do que nunca, a partir deste tipo de licença.
Folha - Nos últimos anos, surgiram vários casos de processos de grandes gravadoras contra pessoas que baixaram músicas. Como você enxerga essa situação?
Leonhard - Qualquer um que se proponha a desconectar pessoas porque elas estão compartilhando música on-line jamais vai ser votado novamente, e qualquer provedor de internet que implemente estas ideias vai achar que perderá usuários mais rapidamente do que a Kodak perdeu pessoas que compram rolos de filme analógico.
Há muita conversa em torno do conceito 3 Strikes [lei francesa que corta a conexão de internautas por download ilegal] (em grande medida, para apaziguar os lobistas e seus conglomerados internacionais), mas a aplicação será uma "missão impossível": muito cara em termos de tecnologia, muito tediosa em termos das consequências sociais e culturais, e 100% inútil na geração de dinheiro para os criadores.
O único benefício será para as empresas de advocacia, e claro, para os lobistas. A única solução consiste em uma licença pública, padronizada e coletiva para as pessoas que estão, com a música, na internet você não pode ter controle total e fazer dinheiro novo ao mesmo tempo!
Folha - Dentro desse contexto, as gravadoras podem competir com a pirataria?
Leonhard - Gravadoras não competem com o gratuito: elas competem com cópias gratuitas. Tudo é possível e será vendido --se eles tiverem mais uma maneira de vender mais do que a cópia, e estiverem dispostos a dar aos usuários o que eles querem: preço baixo, altamente merecido.
Folha - Existe um modelo rentável para o mercado musical?
Leonhard - Absolutamente. Os custos on-line podem ser drasticamente reduzidos (ou seja, produção, fabricação, distribuição e marketing), portanto, os preços podem ser muito reduzidos, mais consumidores podem se interessar, e muito mais produtos e serviços podem ser os mais vendidos!

Fonte: FSP

Cofundadores do YouTube e MySpace procuram startups no Brasil

O auditório da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, esteve apinhado de gente na tarde desta terça-feira. Na plateia, inúmeros empreendedores ou candidatos a empreendedores, entre outros convidados. Era fácil perceber que a imensa maioria era composta por jovens.

Eles estavam lá por uma razão muito simples: queriam ouvir o que investidores do Vale do Silício – a meca da tecnologia mundial – tinham a dizer aos brasileiros na Semana do Vale do Silício, evento realizado de hoje até o dia 12 e que também passará pelo Rio de Janeiro.

Para a plateia e para diversos profissionais do setor digital, é importante saber se esses rapazes – que ter os seus trintas e poucos anos -, responsáveis pela chave de cofres de investidores internacionais, estão dispostos a destinar recursos a projetos de tecnologia desenvolvidos no Brasil.

Afinal, enquanto as economias americana e europeia estão cambaleantes, a brasileira vai bem e o País se destaca entre os emergentes. Logo, despontamos como alvos preferenciais para investimentos de diversos setores, incluindo o de tecnologia.

Pesquisa in loco

A resposta é quase a mesma entre os visitantes ilustres – e destaque-se a palavra “ilustres”. Estamos falando, entre outros, de cofunfadores de empresas como YouTube, MySpace.

“Sim, estamos estudando investir em startups no Brasil. “E minha primeira vez no País, um mercado que se mostra muito bom para investimentos”, emenda de bate pronto Jawed Karim, cofundador do YouTube e sócio fundador do fundo de investimento de risco Youniversity Ventures, criado em parceria com investidores do PayPal.

“Claro, estamos explorando o mercado para identificar as melhores oportunidades”, diz Aber Whitcomb, ex-CTO e cofundador do MySpace.

Ele e Karim desligaram-se respectivamente de MySpace e YouTube há algum tempo e hoje buscam identificar oportunidades de investimentos em novas startups mundo afora.

Embora afirmem a disposição em investir, ambos tergiversam ao falar sobre os perfis dos projetos.

Whitcomb foi encarregado da engenharia e operações técnicas daquela que já foi a maior rede social do mundo. Ele se notabilizou como um especialista em redes, armazenamento e computação em grande escala.

Formado em Ciência da Computação, Karim, por sua vez, tem buscado até o momento oportunidades entre ex-alunos e alunos da Universidades de Stanford e Illinois.

Desafios

Outro que reforçou o discurso de exaltação ao mercado brasileiro de tecnologia é Paul Bragel, confundador da americana I/O Ventures, que investe em startups.

Também se dizendo em busca de oportunidades de negócios no País, Bragel destaca a possibilidade de parceria local. Um dos desafios para o mercado nacional, no entanto, é ampliar a massa de profissionais qualificados para o setor de tecnologia.

“Há engenheiros muitso bons aqui, mas geralmente eles são contratados por grandes bancos e outras companhias de porte. É preciso ampliar a capacidade de recursos humanos no País”, disse.

“Os negócios no Brasil estão animados, hás boas expectativas. O importante é fazer o que estamos fazendo: vir ao País, pesquisar o mercado, compartilhar experiências”, afirmou Bragel, que disse ter conhecido mais do mercado digital brasileiro depois da venda milionária do Buscapé para o Naspers.

Como eles vieram parar aqui

Os investidores estão no Brasil graças ao empenho de três brasileiros: o professor José Augusto Corrêa, da FGV; Rodrigo Veloso, CEO da O.N.E, que tem sede em Los Angeles; e Reinaldo Normand, fundador do Zeebo, startup criada originalmente como um console de videogame e hoje posicionado como uma “plataforma de entretenimento e educação adquirida pela Qualcomm.

Eles são sócios na BricChamber , empresa definida como uma “Câmara de negócios Brasil, Rússia, Índia e China – a referência ao Bric está no nome.

O maior objetivo da companhia é estimular o empreendedorismo em países emergentes. Para isso, propõe-se a promover intercâmbios de negócios e compartilhamento de experiências entre empreendedores dos mercados em desenvolvimento.

Sua atuação se dará em diversos setores da economia, como energia e bens de consumo. A área de tecnologia foi escolhida para dar a largada em função do bom trânsito que Normand tem entre as cabeças pensantes do Vale do Silício.

Fonte: idgnow

Como conquistar um investidor anjo

Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, dá dicas a empreendedores que buscam fundos para financiar seu negócio

por Daniela Moreira, de EXAME.com

São Paulo - Menos é mais quando se trata de vender sua ideia de negócio. É o que garante o investidor anjo Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, que investe em startups de tecnologia do Vale do Silício.

Segundo o especialista, que já fundou três empresas de internet de sucesso e agora investe em negócios em estágio inicial de desenvolvimento, o segredo para conquistar a atenção dos potenciais investidores é ser ágil e objetivo ao apresentar seu projeto.

Durante um evento organizado pelo Centro de Empreendedorismo da FGV-EAESP, em São Paulo, o investidor – que quer atrair empreendedores brasileiros para o Vale do Silício – deu dicas para quem busca recursos para financiar seu negócio. Confira.

EXAME.com: Qual é o caminho para atrair a atenção de potenciais investidores para o seu negócio?
Paul Bragiel: O importante é ter acesso a pessoas. Se você mandar um e-mail direto para esses caras, o risco de ir parar na caixa de lixo é grande. Você tem que trabalhar duro para conseguir acesso a essas pessoas. Não tente a porta da frente, tente a porta de trás. É importante manter também um networking com outros empreendedores. De repente ele apresentou a própria ideia três meses atrás a um investidor e pode te colocar em contato com ele. Outro aspecto importante é manter um contato com as pessoas para quem você apresentou sua ideia, mesmo que eles tenham dito não para o seu projeto. Eles podem querer investir na sua próxima empresa, ou na próxima rodada de investimentos ou até mudar de ideia em dois meses e resolver investir no seu projeto. Na I/O nós trabalhamos com mais de 40 fundos de venture capital do Vale do Silício e muitos desses caras disseram não para mim. Mas eu mantenho contato com todos eles porque amanhã posso precisar da ajuda deles, ou uma das minhas empresas pode precisar de investimento ou algum amigo pode precisar de um contato.

EXAME.com: Qual é a melhor forma para apresentar o seu negócio ao potencial investidor?
Bragiel: O importante é não arrastar a apresentação. Alguns pitches apresentações que vimos aqui no Brasil duraram um pouco demais. Você perde um pouco da sua vantagem quando fala de maneira muito detalhada da sua ideia. Vá lá, apresente sua ideia da maneira mais rápida possível e quanto mais rápido você chegar na parte mais divertida - das perguntas e respostas - melhor. É aí que o investidor aprende mais sobre o negócio que durante a apresentação em si.

EXAME.com: O que vocês buscam na hora de avaliar um potencial investimento?
Bragiel: Gostamos de times técnicos, portanto é importante que pelo menos um dos fundadores seja um programador ou engenheiro para que o negócio possa avançar tecnicamente. Também buscamos pessoas motivadas – quando vemos alguém que não está afim de fazer muita coisa, que acha que já “nasceu” empreendedor, torcemos o nariz. Também nos interessa ver como a dinâmica do time funciona, como as pessoas trabalham juntas, há quanto tempo elas se conhecem, porque você tem que ter certeza de que se as coisas ficarem difíceis essas pessoas vão se apoiar e não desmoronar totalmente. Depois do time, vem a ideia. A ideia pode até ser boa, mas se não for algo que me empolgue eu não vou investir. Tem que ser alo que me faça pensar: ‘talvez eu até entre para essa companhia, eu gostaria de trabalhar lá’.

EXAME.com: A ideia vem por último nesta lista?
Bragiel: Sim, porque se não tem os outros três não adianta ter uma boa ideia. Você pode me dizer: ‘tenho uma grande ideia, vou fazer carros voadores’. Se eu te perguntar como você vai fazer isso e você não tiver resposta tudo vai por água abaixo. A execução é muito importante. O que determina o sucesso da empresa não é ter a grande ideia e construir a empresa de fato, contratar as pessoas certas, promover o produto, ir ao mercado, sujar as mãos.

EXAME.com: O investimento anjo é uma aposta de alto risco. O que o motivou a entrar nesta área?
Bragiel: Muitas vezes você coloca dinheiro e as chance de conseguir algum retorno é bem pequena. Nós colocamos dinheiro porque temos a oportunidade de trabalhar com jovens empreendedores e pessoas que realmente respeitamos. É inspirador. Você pega a energia que eles tem e traz para a sua vida, para a sua empresa e etc. Além disso, se a empresa dá certo, a taxa de retorno é muito alta. É um tiro no escuro e normalmente você não espera acertar, mas nós empreendedores somos otimistas por natureza, por isso acreditamos que estamos colocando dinheiro em empresas que podem ser realmente inovadoras e trazer valor para o mundo e para o seu bolso, claro. Também é uma forma de retribuir, porque muitos de nós no Vale do Silício recebemos dinheiro ou conselhos em algum momento quando abrimos nossos próprios negócios no passado.

EXAME.com: Qual é a vantagem de conviver em um ambiente com alta concentração de empreendedores, como Vale do Silício?
Bragiel: Comandar uma empresa é solitário. Você é o chefe, você não pode reclamar para o seu funcionário que as coisas estão difíceis. É importante estar perto de outros empreendedores para trocar ideias, dividir experiências e aprender com os outros. Algumas das lições mais importantes que eu aprendi foram com pessoas da minha idade, que tinham negócios parecidos com os meus.

EXAME.com: Qual o interesse da I/O Ventures no Brasil?
Bragiel: Estamos convidado empresários brasileiros a aplicar para o nosso programa. Acredito que os grande negócios de internet do futuro virão de fora dos Estados Unidos. Queremos trabalhar com os melhores empreendedores, não interessa de onde eles venham. Com a gente, você pode entrar pela porta da frente. Nosso processo de seleção é bem democrático. As inscrições podem ser feitas diretamente no nosso site. Nosso programa tem duração de seis meses e já estamos selecionando as empresas que vamos apoiar no início do próximo ano.

Fonte: Exame