Sunday, November 21, 2010
As vantagens do uso de redes sociais nas empresas
O uso competente das ferramentas ajuda empresas a crescer, popularizar-se e firmar o lugar no mercado
Marcus Vinicius Pilleggi“É preciso alertar as empresas, de quaisquer portes, para a eficiência e relevância das redes sociais”, diz o especialista em tecnologia de informação Luís Fuzaro. “Há um benefício bastante grande em usar esse tipo de tecnologia porque agiliza os processos de negócios”, completa. Para o especialista, as redes sociais, desde que utilizadas adequadamente, evitam duplicidade de informação, aumentam o trabalho colaborativo e melhoram os repositórios para criar um conhecimento coletivo da empresa.
Segundo Fuzaro, melhorar o conhecimento coletivo é essencial para criar potencial e diferencial competitivo. “A empresa consegue melhorar os custos e a agilidade de processos de negócios”, afirma.
Para o pequeno empresário, o uso dessas ferramentas pode ser aproveitado para uma série de fatores. Para Fuzaro, é pertinente ao pequeno empreendedor investir nesse tipo de tecnologia porque essas redes permitem expansão do mercado, melhor relacionamento com os clientes e fornecedores e redução de custos, sem falar no uso possível para campanhas de marketing. “Ainda, não podemos esquecer que empresas mais alinhadas com o uso de novas ferramentas e antenadas no avanço tecnológico acabam atraindo mais recursos”, completa.
A seguir, veja casos de empresas que usam ferramentas sociais e suas experiências com elas.
Parte 02:
A Mala Pronta aposta no uso de redes sociais, principalmente o Twitter, Facebook e blog, para se relacionar com seus consumidores, aumentar a clientela e garantir mais informações. E como faz o link direto do cliente com o hotel, o próprio hotel acaba usando, indiretamente, as redes sociais. A Mala Pronta possibilita, então, o canal de comunicação entre hóspede e hotel. Graças a esse feedback, muitos hotéis fazem promoções exclusivas para a Mala Pronta
O fundador e diretor da empresa, Francisco Millarch, 37, sabe do poder da internet desde que cursou mestrado em mídias interativas em Londres, na Inglaterra. “A internet tem muito potencial, e acredito que teremos um grande crescimento no Brasil em turismo, por causa disso, acho que esse investimento na internet e nas redes sociais vai ser muito relevante.”, afirma.
O Twitter também é utilizado para monitorar e indicar opções aos clientes. “Ficamos espertos com pessoas que querem hotéis em determinados lugares, e quando alguém manda uma mensagem procurando opções, logo depois já lançamos um tweet para essa pessoa falando que tem o hotel tal, em tal lugar”, completa. Essas iniciativas levam clientes para o site da Mala Pronta, que acabam efetuando suas reservas pela empresa.
Francisco Millarch ainda diz ser fundamental abrir o canal de comunicação para o cliente. Essa proximidade permite maior fidelização. “Nunca recebemos reclamações porque não é o nosso serviço, de fato, que estão comprando, e sim o do hotel. Nós fazemos a intermediação e respondemos por isso em nossas redes”, afirma. Dos 25 funcionários da empresa, três são profissionais de comunicação social destinados somente para aadministração das redes sociais.
Millarch é categórico: “As mídias sociais ajudam a fortalecer a marca e divulgá-la, é um diferencial muito importante”. Essas iniciativas garantiram um crescimento muito grande da empresa em pouco tempo. Com um investimento inicial de R$ 50 mil, o empreendimento registrou, no ano passado, um faturamento de R$ 25 milhões, um crescimento de 400% em relação ao ano anterior. Em 2008, o crescimento foi ainda maior, 600%. Mesmo com a ideia de que pequenas empresas crescem mais rapidamente, Millarch admite que “o segredo da internet é ter o capital humano, as pessoas certas”, encerra.
Para poder iniciar a produção, investiram cerca de R$ 20 mil e estão ansiosas para obter seu primeiro balanço, que deve chegar no mês que vem. Mas as empresáriasgarantem o sensível crescimento da empresa, porque o aumento da demanda se deu não só com clientes individuais, mas também com lojistas. A jovem empresa possui mais de 300 clientes no varejo e trabalha com cerca de dez lojistas em Belo Horizonte e um na Espanha. O clima é de otimismo entre as empresárias, que pretendem expandir para o estado de São Paulo ainda neste ano.
Em parte, o crescimento e fortalecimento da nova marca deu-se justamente em virtude do uso das redes sociais. “Nós procuramos enriquecer e definir não só a marca e o que se passa na empresa, mas também ajudar em uma espécie de guia do estilo de vida dos clientes”, diz Fernanda. A ideia é usar ferramentas como Twitter e Facebook para também veicular notícias que saem na mídia sobre moda e design do Brasil e do mundo. “Fazemos uma espécie de clipping online”, completa Fernanda. Para a empresária essas ferramentas servem como criação de marketing viral, que se mostra cada vez mais eficiente e com baixo custo, o que conjuga com um crescimento maior.
Segundo Fernanda, o blog é muito útil porque ele tem todo o histórico da marca, além da divulgação de eventos, notícias e parcerias. É um background do profissional. “O blog é como um currículo da marca. Ele tem muito peso para nós por causa da maior riqueza dos detalhes que ele proporciona”, garante a empresária.
Para as sócias, as redes são muito importantes em negócios, principalmente de internet, para possibilitar a aproximação do cliente à marca. Fernanda vê o uso das redes como fundamental para as novas empresas atualmente: “As redes fortalecem muito o negócio online e o retorno direto nos proporcionou parcerias e oportunidades”. Para ela, o principal é eliminar muitas barreiras, principalmente as geográficas.
As constatações são do fundador e diretor do grupo Tron, Reilly Rangel. “O que gostei bastante no uso das redes sociais é que deixou nossa pirâmide hierárquica horizontalizada. É fácil falar com gerentes eempregados”, diz o empresário. Ele revela ainda que as redes abrem um canal de comunicação de mão-dupla entre empresa e cliente. Os funcionários podem utilizar Orkut, Facebook, Twitter, Blog, Flickr e Youtube tanto para fins profissionais quanto pessoais.
“Buscamos explorar esses meios de comunicação de forma positiva e saudável. O resultado tem sido tão bom que queremos que todos usem”, diz Rangel. A empresa integrou o Twitter em seus softwares para veicular notícias para qualquer um que o utilize. “Dentro do nosso sistema aparece o último post do Twitter, na linha rodapé. Tendo conta no miniblog ou não, a notícia chega para o usuário do nosso sistema”, garante o empresário.
A Tron existe há 18 anos. Começou com dois empreendedores em uma garagem em Goiânia, um da área técnica e outro da área de negócios. Insatisfeitos com o atendimento de empresas de TI, decidiram fundar a deles. Hoje a empresa atende cerca de 4 mil clientes, conta com mais de 200 funcionários espalhados por 11 sedes e fechou 2009 com um aumento de 43% no faturamento. As redes foram responsáveis pela abertura de duas novas empresas no ano passado, em virtude do aumento que elas trouxeram no número de clientes.
Para futurólogo, redes sociais terão mais receita que "velha mídia"
| Divulgação |
| Gerd Leonard, futurólogo alemão que vem ao Brasil falar de negócios e mídias sociais, aposta em integração de mídias |
| Joel Silva -20.ago.09/Folha Imagem |
| Conexão e compartilhamento de conteúdo (imagens, relatos, música, links) traz grandes mudanças para as indústrias de mídia |
| Sherwin Crasto -18.mai.09/Reuters |
| "MySpace foi bem-sucedido porque eles começaram sem licença, sem permissão de gravadoras, e faziam o que usuários queriam" |
Cofundadores do YouTube e MySpace procuram startups no Brasil
O auditório da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, esteve apinhado de gente na tarde desta terça-feira. Na plateia, inúmeros empreendedores ou candidatos a empreendedores, entre outros convidados. Era fácil perceber que a imensa maioria era composta por jovens.
Eles estavam lá por uma razão muito simples: queriam ouvir o que investidores do Vale do Silício – a meca da tecnologia mundial – tinham a dizer aos brasileiros na Semana do Vale do Silício, evento realizado de hoje até o dia 12 e que também passará pelo Rio de Janeiro.
Para a plateia e para diversos profissionais do setor digital, é importante saber se esses rapazes – que ter os seus trintas e poucos anos -, responsáveis pela chave de cofres de investidores internacionais, estão dispostos a destinar recursos a projetos de tecnologia desenvolvidos no Brasil.
Afinal, enquanto as economias americana e europeia estão cambaleantes, a brasileira vai bem e o País se destaca entre os emergentes. Logo, despontamos como alvos preferenciais para investimentos de diversos setores, incluindo o de tecnologia.
Pesquisa in loco
A resposta é quase a mesma entre os visitantes ilustres – e destaque-se a palavra “ilustres”. Estamos falando, entre outros, de cofunfadores de empresas como YouTube, MySpace.
“Sim, estamos estudando investir em startups no Brasil. “E minha primeira vez no País, um mercado que se mostra muito bom para investimentos”, emenda de bate pronto Jawed Karim, cofundador do YouTube e sócio fundador do fundo de investimento de risco Youniversity Ventures, criado em parceria com investidores do PayPal.
“Claro, estamos explorando o mercado para identificar as melhores oportunidades”, diz Aber Whitcomb, ex-CTO e cofundador do MySpace.
Ele e Karim desligaram-se respectivamente de MySpace e YouTube há algum tempo e hoje buscam identificar oportunidades de investimentos em novas startups mundo afora.
Embora afirmem a disposição em investir, ambos tergiversam ao falar sobre os perfis dos projetos.
Whitcomb foi encarregado da engenharia e operações técnicas daquela que já foi a maior rede social do mundo. Ele se notabilizou como um especialista em redes, armazenamento e computação em grande escala.
Formado em Ciência da Computação, Karim, por sua vez, tem buscado até o momento oportunidades entre ex-alunos e alunos da Universidades de Stanford e Illinois.
Desafios
Outro que reforçou o discurso de exaltação ao mercado brasileiro de tecnologia é Paul Bragel, confundador da americana I/O Ventures, que investe em startups.
Também se dizendo em busca de oportunidades de negócios no País, Bragel destaca a possibilidade de parceria local. Um dos desafios para o mercado nacional, no entanto, é ampliar a massa de profissionais qualificados para o setor de tecnologia.
“Há engenheiros muitso bons aqui, mas geralmente eles são contratados por grandes bancos e outras companhias de porte. É preciso ampliar a capacidade de recursos humanos no País”, disse.
“Os negócios no Brasil estão animados, hás boas expectativas. O importante é fazer o que estamos fazendo: vir ao País, pesquisar o mercado, compartilhar experiências”, afirmou Bragel, que disse ter conhecido mais do mercado digital brasileiro depois da venda milionária do Buscapé para o Naspers.
Como eles vieram parar aqui
Os investidores estão no Brasil graças ao empenho de três brasileiros: o professor José Augusto Corrêa, da FGV; Rodrigo Veloso, CEO da O.N.E, que tem sede em Los Angeles; e Reinaldo Normand, fundador do Zeebo, startup criada originalmente como um console de videogame e hoje posicionado como uma “plataforma de entretenimento e educação adquirida pela Qualcomm.
Eles são sócios na BricChamber , empresa definida como uma “Câmara de negócios Brasil, Rússia, Índia e China – a referência ao Bric está no nome.
O maior objetivo da companhia é estimular o empreendedorismo em países emergentes. Para isso, propõe-se a promover intercâmbios de negócios e compartilhamento de experiências entre empreendedores dos mercados em desenvolvimento.
Sua atuação se dará em diversos setores da economia, como energia e bens de consumo. A área de tecnologia foi escolhida para dar a largada em função do bom trânsito que Normand tem entre as cabeças pensantes do Vale do Silício.
Fonte: idgnow
Como conquistar um investidor anjo
Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, dá dicas a empreendedores que buscam fundos para financiar seu negócio
por Daniela Moreira, de EXAME.com
São Paulo - Menos é mais quando se trata de vender sua ideia de negócio. É o que garante o investidor anjo Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, que investe em startups de tecnologia do Vale do Silício.
Segundo o especialista, que já fundou três empresas de internet de sucesso e agora investe em negócios em estágio inicial de desenvolvimento, o segredo para conquistar a atenção dos potenciais investidores é ser ágil e objetivo ao apresentar seu projeto.
Durante um evento organizado pelo Centro de Empreendedorismo da FGV-EAESP, em São Paulo, o investidor – que quer atrair empreendedores brasileiros para o Vale do Silício – deu dicas para quem busca recursos para financiar seu negócio. Confira.
EXAME.com: Qual é o caminho para atrair a atenção de potenciais investidores para o seu negócio?
Paul Bragiel: O importante é ter acesso a pessoas. Se você mandar um e-mail direto para esses caras, o risco de ir parar na caixa de lixo é grande. Você tem que trabalhar duro para conseguir acesso a essas pessoas. Não tente a porta da frente, tente a porta de trás. É importante manter também um networking com outros empreendedores. De repente ele apresentou a própria ideia três meses atrás a um investidor e pode te colocar em contato com ele. Outro aspecto importante é manter um contato com as pessoas para quem você apresentou sua ideia, mesmo que eles tenham dito não para o seu projeto. Eles podem querer investir na sua próxima empresa, ou na próxima rodada de investimentos ou até mudar de ideia em dois meses e resolver investir no seu projeto. Na I/O nós trabalhamos com mais de 40 fundos de venture capital do Vale do Silício e muitos desses caras disseram não para mim. Mas eu mantenho contato com todos eles porque amanhã posso precisar da ajuda deles, ou uma das minhas empresas pode precisar de investimento ou algum amigo pode precisar de um contato.
EXAME.com: Qual é a melhor forma para apresentar o seu negócio ao potencial investidor?
Bragiel: O importante é não arrastar a apresentação. Alguns pitches apresentações que vimos aqui no Brasil duraram um pouco demais. Você perde um pouco da sua vantagem quando fala de maneira muito detalhada da sua ideia. Vá lá, apresente sua ideia da maneira mais rápida possível e quanto mais rápido você chegar na parte mais divertida - das perguntas e respostas - melhor. É aí que o investidor aprende mais sobre o negócio que durante a apresentação em si.
EXAME.com: O que vocês buscam na hora de avaliar um potencial investimento?
Bragiel: Gostamos de times técnicos, portanto é importante que pelo menos um dos fundadores seja um programador ou engenheiro para que o negócio possa avançar tecnicamente. Também buscamos pessoas motivadas – quando vemos alguém que não está afim de fazer muita coisa, que acha que já “nasceu” empreendedor, torcemos o nariz. Também nos interessa ver como a dinâmica do time funciona, como as pessoas trabalham juntas, há quanto tempo elas se conhecem, porque você tem que ter certeza de que se as coisas ficarem difíceis essas pessoas vão se apoiar e não desmoronar totalmente. Depois do time, vem a ideia. A ideia pode até ser boa, mas se não for algo que me empolgue eu não vou investir. Tem que ser alo que me faça pensar: ‘talvez eu até entre para essa companhia, eu gostaria de trabalhar lá’.
EXAME.com: A ideia vem por último nesta lista?
Bragiel: Sim, porque se não tem os outros três não adianta ter uma boa ideia. Você pode me dizer: ‘tenho uma grande ideia, vou fazer carros voadores’. Se eu te perguntar como você vai fazer isso e você não tiver resposta tudo vai por água abaixo. A execução é muito importante. O que determina o sucesso da empresa não é ter a grande ideia e construir a empresa de fato, contratar as pessoas certas, promover o produto, ir ao mercado, sujar as mãos.
EXAME.com: O investimento anjo é uma aposta de alto risco. O que o motivou a entrar nesta área?
Bragiel: Muitas vezes você coloca dinheiro e as chance de conseguir algum retorno é bem pequena. Nós colocamos dinheiro porque temos a oportunidade de trabalhar com jovens empreendedores e pessoas que realmente respeitamos. É inspirador. Você pega a energia que eles tem e traz para a sua vida, para a sua empresa e etc. Além disso, se a empresa dá certo, a taxa de retorno é muito alta. É um tiro no escuro e normalmente você não espera acertar, mas nós empreendedores somos otimistas por natureza, por isso acreditamos que estamos colocando dinheiro em empresas que podem ser realmente inovadoras e trazer valor para o mundo e para o seu bolso, claro. Também é uma forma de retribuir, porque muitos de nós no Vale do Silício recebemos dinheiro ou conselhos em algum momento quando abrimos nossos próprios negócios no passado.
EXAME.com: Qual é a vantagem de conviver em um ambiente com alta concentração de empreendedores, como Vale do Silício?
Bragiel: Comandar uma empresa é solitário. Você é o chefe, você não pode reclamar para o seu funcionário que as coisas estão difíceis. É importante estar perto de outros empreendedores para trocar ideias, dividir experiências e aprender com os outros. Algumas das lições mais importantes que eu aprendi foram com pessoas da minha idade, que tinham negócios parecidos com os meus.
EXAME.com: Qual o interesse da I/O Ventures no Brasil?
Bragiel: Estamos convidado empresários brasileiros a aplicar para o nosso programa. Acredito que os grande negócios de internet do futuro virão de fora dos Estados Unidos. Queremos trabalhar com os melhores empreendedores, não interessa de onde eles venham. Com a gente, você pode entrar pela porta da frente. Nosso processo de seleção é bem democrático. As inscrições podem ser feitas diretamente no nosso site. Nosso programa tem duração de seis meses e já estamos selecionando as empresas que vamos apoiar no início do próximo ano.
Fonte: Exame