Thursday, March 10, 2011

Escolhendo o Meio de Pagamento Certo Para Sua Startup Web

dollar sign Escolhendo o Meio de Pagamento Certo Para Sua Startup Web
Depois da febre do modelo de software como serviço e do surgimento de várias startups web baseadas em assinaturas fixas ou cobranças mensais variáveis (o famoso pay as you go) lá fora, vários empreendedores brazucas tem enfrentado grandes desafios para efetuar cobranças por aqui.  Semanalmente, algum empreendedor entra em contato conosco pedindo dicas de qual solução utilizar ou quais critérios utilizar para escolher sua solução.

Diferente do mercado americano, que conta com diversas opções de serviços para gerenciar assinaturas e cobranças recorrentes, o mercado brasileiro é mais carente. Não possuímos ferramentas como o Chargifyou o Zuora e estas empresas não efetuam cobranças em Reais ($BRL). Serviços como o Paypal, que também possuem poderosas API’s, ainda não estão em pleno funcionamento por aqui.
Outra particularidade do mercado local é que grande parte dos clientes brasileiros não fazem os pagamentos com cartões de crédito e sim com boletos bancários, o que gera mais complexidade, pois as transações não ocorrem instantaneamente.
Por isso, tentamos gerar um guia simples que ajude quem precisa fazer uma integração rápida e começar a cobrar para monetizar sua startup. O intuito não é ser um guia completo, mas sim um trabalho constante e evolutivo.
Caso você queira complementar, pedir alguma informação, escrever um post sobre o assunto, ou fazer um trackback, basta postar nos comentários, ou falar conosco no Twitter.

Gateway ou Intermediador?

A primeira escolha que você deve fazer para poder começar a cobrar é decidir se você vai optar por usar um gateway de pagamentos ou um intermediador. Cada um tem suas particularidades, e casos de uso recomendados. Então, vamos falar um pouco sobre cada um:
Gateway de Pagamentos: Para usar um gateway, é necessário que a empresa já tenha uma pessoa jurídica criada e tenha contratos com as instituições dos pagamentos que ela deseja aceitar (contrato com a Redecard ou Cielo, bancos pelos quais se deseja emitir boletos, etc.), porém alguns gateways conseguem facilitar a vida do cliente obtendo e gerenciando esses contratos. Os gateways geralmente são recomendados para soluções mais “profissionais” dado a flexibilidade que oferecem e o volume de transações que exigem para atingir os custos de setup fee e outros.
Geralmente, cobram um custo fixo por transação, o que os torna mais viáveis e baratos para soluções de larga escala. Quase sempre possuem um volume mínimo de transações mensais, o que pode tornar essa uma escolha mais cara para quem está começando. Um grande diferencial é a experiência de uso realizada totalmente dentro do site da empresa, com um look and feel 100% customizável.
Prós:
  • Look n’ feel customizável;
  • Mais barato para quem transaciona grandes volumes.
Contras:
  • Custos de Setup;
  • Burocracia e dependência de contratos com instituições;
  • Necessidade de contratação de empresa de gestão de risco (ClearSale, por exemplo), ou gestão de risco própria.
Intermediadores de Pagamentos: Estes meios já possuem contratos com as instituições financeiras e retiram a burocracia inicial do processo. Geralmente tem um custo fixo por transação, mais um adicional variável que vai de 4 a 7%. Saem mais caros para uso em escala, mas podem ser a solução mais rápida para começar a cobrar. As soluções do mercado brasileiro, salvo raras exceções, possuem API’s com poucas funcionalidades (ou não possuem API’s) e dão pouca ou nula possibilidade de customização. O checkout quase sempre é efetuado numa página do provedor, sob a qual você não tem muitas opções de customização.
Prós:
  • Zero burocracia inicial;
  • Custo baixo de integração;
  • Recebimento em apenas uma conta bancária;
  • Gestão de risco de transações feita pelo provedor, sem custo adicional.
Contras:
  • Taxas mais altas;
  • Pouca ou nenhuma flexibilidade de customização das páginas de checkout;
  • Ausências de API’s.

Qual Gateway Escolher?

Se você optou por utilizar um Gateway, saiba que os principais gateways que atuam no mercado brasileiro são:
Dentre os critérios para seleção do melhor gateway para sua empresa, vale prestar atenção aos seguintes:
  • Custo por transação;
  • Custo mínimo mensal (o valor que você paga se não atingir o mínimo de transações);
  • Facilidade de integração;
  • Suporte a cobranças recorrentes;
  • SLA;
  • Se oferece gestão de riscos integrada;
  • Custo de Setup ( Geralmente variam de R$0,00 até R$ 5000,00);
Conversamos com vários empreendedores, mas poucos tem experiência em trabalhar com estas plataformas. Em breve pretendemos fazer um comparativo entre os principais gateways por aqui.
Caso você tenha tido alguma experiência utilizando algum deles, gostaríamos muito de ouvir seu feedback nos comentários.

Escolhi um Intermedior, e Agora?

Ouvimos vários empreendedores e desenvolvedores e pedimos referências sobre as principais integradoras. Por terem um setup mais rápido, sem custos, e não depender de contratos com as instituições financeiras, conseguimos coletar mais feedback. Veja abaixo nossas principais constatações:
  • PagSeguro, do UOL: É o mais conhecido pelos consumidores, e tem a marca de um gigante da internet brasileira. Conversando com alguns empreendedores, ouvimos críticas sobre a disponibilidade do serviço e também por sérios problemas com gestão de riscos e transações que nunca são aprovadas.
  • Moip, parceira do IG e investida pela IDEIASNET: A startup possui um set interessante de API’s e oferece muitos exemplos de integração e bibliotecas, parecendo ser a solução mais amigável para desenvolvedores. O destaque fica para a solução que permite utilização whitelabel, pela qual o usuário não precisa passar pelo checkout no site externo.
  • Pagamento Digital, do Buscapé: Tem o maior gigante do ecommerce brasileiro por trás e está ganhando mercado rapidamente. Infelizmente ainda não é muito amigável para os desenvolvedores, mas parece oferecer grande apoio a lojistas, oferecendo inclusive publicidade grátis no Buscapé para seus clientes.
  • PayPal, o maior meio de pagamentos do mundo: A empresa já atua no brasil, e oferece tarifas bastante competitivas e API’s super poderosas. Infelizmente nem todas estão disponíveis por aqui, mas os recursos do PayPal são bastante interessantes. É disparado a solução mais completa. A única restrição ao Paypal é a ausência de cobranças por boleto, que em muitos casos são imprescindíveis para o mercado local.
  • Mercado Pago, do Mercado Livre: Não conseguimos conversar com nenhum desenvolvedor ou empreendedor que tivesse utilizado a solução do Mercado Pago, mas sabemos que o novo player é um recente spin-off do meio de pagamentos já consolidado dentro do Mercado Livre para o mercado externo aos leilões. Se você já tiver feito alguma integração deste tipo, não deixe de compartilhar conosco nos comentários.
Antes de escolher qualquer destes, leve em consideração os seguintes aspectos:
  • Taxas;
  • Facilidade de integração;
  • Capacidade de fazer integrações “whitelabel”;
  • Disponibilidade de API’s e bibliotecas prontas;
  • Conhecimento da marca pelo público;
  • Tempo para análise e aprovação das transações;
  • Tempo de pagamento ao vendedor.
E você, já fez alguma integração similar na sua Startup? Pode compartilhar algumas dicas, truques e segredos? Quais destes serviços são boas opções? Quais deles são uma furada? Queremos muito ouvir sua opinião.

Tuesday, March 8, 2011

Qual é seu sonho?


Pergunte isso a si mesmo e a quem está a sua volta –e você contribuirá para liberar o empreendedorismo à brasileira. Na opinião de Fernando Dolabela, um dos maiores especialistas da área no País, somos empreendedores desde o Brasil Colônia e nos sobra a criatividade tão necessária, mas nosso empreender é reprimido. Precisamos estimular nossos mapas de sonhos.
O Brasil é o sexto país mais empreendedor do mundo, segundo o ranking 2009 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), e, pela primeira vez, o empreendedorismo por oportunidade superou o feito por necessidade, o que mostra uma pró-atividade de empreender.
Então, empreendedorismo pode ser visto como uma característica da gestão brasileira? Sim e não. Existem a capacidade de sonhar, e um grande potencial de criatividade reconhecido na população em geral, mas não há um estímulo cultural a isso. Fernando Dolabela, professor da Fundação Dom Cabral, que rejeita modelos importados de empreendedorismo, busca implantar um empreendedorismo à brasileira justamente com um esforço de construção cultural. Para Dolabela, o movimento precisa entrar obrigatoriamente na pauta dos brasileiros, para reverter uma cultura nacional que, muitas vezes, rejeita e sabota os sonhos –e, por tabela, o empreendedorismo.
Sem empreendedorismo, vale dizer, reduzem-se as chances de o País inovar. “Apesar de produzirmos 10 mil doutores e 40 mil mestres por ano, eles pouco transformam conhecimento em riqueza. Só o empreendedorismo pode virar esse jogo “, diz, o especialista, nesta entrevista especialmente preparada para o portal Brasil – Presença na Gestão que Dá Certo.
Quão empreendedores somos no Brasil? Por que não conseguimos ter uma instituição tão pró-empreendedores como o Babson College norte-americano?
Somos sonhadores, o que é fundamental, mas ainda nos falta cultura empreendedora que estimule sonhos. Quando comecei a estudar empreendedorismo, em 1992, a palavra era quase um “palavrão” e, em certos órgãos públicos, até hoje é. Numa palestra que fiz em um deles, a diretora me alertou: “Não use a palavra ‘empreendedor’”. Esta subverteria os funcionários, que sairiam de lá “pensando em fazer coisas por conta própria”. E a rejeição vem de várias fontes.
A universidade continua a ser uma fonte de rejeição importante. A excelência de ensino superior no Brasil, que é a universidade pública –ideologicamente de esquerda–, renega o mercado e, portanto, o empreendedorismo. Muitos jovens querem, como meta máxima, ser servidores públicos.
Mas há empreendedorismo onde a esquerda é forte, como a Itália…
Lógico, só a velha esquerda rejeita tudo vindo do mercado; tornou-se a velha direita. A nova esquerda aprendeu com o fracasso da Rússia, entendeu que inibir sonhos significa inibir o futuro. Essa nova esquerda sabe que governos só geram custos e que a riqueza é gerada pelas empresas. A região da Emilia-Romagna, na Itália, durante cinco décadas ou mais governada pelos comunistas, é um dos exemplos mundiais mais vibrantes de empreendedorismo. Agora, diga-se, a rejeição começa bem antes da universidade; na escola e em casa. Quando chega à universidade, o jovem está culturalmente pronto, já assimilou as características –negativas e positivas– de sua cultura. Aqui, assimilou a rejeição ao risco e à incerteza, a ausência de vontade de ser protagonista.
Você está dizendo que nossa cultura sabota o empreendedorismo…
Sim. Quando os estudos indicam que empreendedorismo é um tema cultural, isso significa que é vinculado a valores e não um tema cognitivo, acadêmico-científico. Empreendedorismo é forma de ver o mundo, estrutura de relações com as pessoas. O Brasil como instituição inibe o grande potencial de criatividade da população, impedindo-a de empreender. A capacidade de sonhar e de transformar o sonho em realidade é aplacada pela autocracia secular que tira a autoestima das pessoas.
Como explicar “sonho” neste contexto?
A aventura do empreendedor é conceber o futuro e transformá-lo em realidade, o que é sinônimo de sonho. E, assim, transformá-lo em riqueza. Descobri, empiricamente, que a pergunta “Qual é seu sonho?”, quase não é feita aqui. Em regra, nem pela mãe, nem pelo pai – preocupados com a segurança do filho, eles dizem “Passe no concurso”-, nem pelo professor, líder político, chefe… Por ninguém! Sonhar é perigoso. Qualquer um que abrir o campo para o sonho está abrindo a perspectiva de ausência de controle, porque sonhos não são controláveis. Por isso não adianta importar modelo de empreendedorismo. Falta-nos a base.
Isso é reversível?
O único jeito de revertê-lo é fazer com que as crianças se permitam sonhar, antes de a cultura se cristalizar nelas. Essa é a proposta da minha pedagogia empreendedora, que levo há cerca de oito anos às escolas. Só que há mais uma má notícia, pelo menos para o público do portal HSM: a escola particular está mais atrasada nesse processo que a pública, desconectada de uma visão de desenvolvimento sustentável. Eu supunha que acolheria a educação empreendedora, mas, no dia a dia, vi o contrário. Já implementei minha pedagogia empreendedora em 2 mil escolas e apenas três destas eram particulares. A escola particular não consegue conferir qualquer prioridade ao empreendedorismo; na pública, pelo menos, empreendedorismo é questão de sobrevivência.
Você implantou o método em 2 mil escolas… Quantas faltam, por curiosidade?
São escolas de 126 cidades –cada escola é um multiplicador disso na cidade. Considerando que o Brasil tem 5.650 cidades, faltam “apenas” 5.524 [risos].
Explique como é sua metodologia.
Nela, a emoção, afastada do trabalho pelo modelo industrialista, reassume sua importância. O potencial empreendedor, presente em todo ser humano, é disparado pela emoção. Sem ela, não há forma de desenvolver o protagonismo, a criatividade e a perseverança, os três elementos cruciais ao empreendedorismo; a razão vem em seguida, para estruturar o caminho apontado pela emoção. Por esse motivo, os meus livros didáticos são histórias, romances: é a melhor forma de descrever o estilo de vida empreendedor. Preparo professores para iniciar sua relação com os alunos por meio de duas perguntas: 1) “Qual é seu sonho?”; 2) “O que você fará para transformá-lo em realidade?”.
Essas duas perguntas são o eixo da metodologia. Não são feitas no ensino convencional, que entrega tudo pronto ao aluno –um contrassenso, porque empreendedorismo trata de futuro, para o qual ainda não há respostas.
A partir daí os alunos começam a agir (empreendedorismo é pura ação) e trabalham mapas de sonhos, planos de negócios etc. Mas tudo isso requer mudança dos professores, a começar pelo fato de que sonho e empreendimento não podem ser avaliados de fora, mas somente pelo próprio autor.

E como você ensina empreendedorismo em suas oficinas para jovens?
Falo em sonho também, mas trabalho os elementos de suporte, que são basicamente quatro:
1) Conceito de si. Todo empreendedor necessita muito de autoconhecimento para ter consciência do que sabe e, principalmente, do que não sabe. Assim, consegue construir complementaridades e buscar colaboradores.
2) Conhecimento do setor visado. Esse é o elemento central. Somente entendendo bem o ambiente de negócios ele poderá identificar oportunidades (clientes, concorrentes, ciclo de vida, legislação, tendências etc.), e sua ausência é causa constante de falências.
3) Rede de relações. É preciso aprender a construir uma rede de pessoas que ajude a conhecer o ambiente e a concretizar o sonho.
4) Capacidade de liderança. O desenvolvimento desta é fundamental tanto para convencer um investidor a apostar no sonho como para transmiti-lo e seduzir pessoas a acompanhá-lo.

Além de tachado de direitista, você não pode ser acusado de messiânico?
Sonho parece coisa de messias, sim, mas tenho a meu favor o fato de que a relação entre empreendedorismo e desenvolvimento é a maior verdade prática que existe, ainda que comprovada recentemente. Foi só na década de 1970 que os economistas norte-americanos se deram conta de que as pequenas empresas geravam mais empregos que as grandes; ficaram perplexos. O empreendedorismo era um não assunto na academia. O [Joseph] Schumpeter, que só agora é reconhecido para valer, foi o primeiro a pôr o empreendedorismo sob os holofotes, quando afirmou que a inovação é a grande propulsora da economia. De lá para cá, diversos estudos comprovaram a relação entre empreendedorismo, desenvolvimento e qualidade de vida.
Essa cultura antiempreendedorismo é histórica no Brasil? Ou tem data recente?
Autores dos extremos ideológicos, de Caio Prado, com sua linha aristotélico-marxista, a Oliveira Viana, visto como sendo de direita, sempre afirmaram que o Brasil foi gerado na época colonial pela combinação de senhor e escravo, com economia baseada na exportação –o Brasil servo de outros mercados– e, portanto, sem empreendedorismo. Mas isso começa a ser revisto desde que foi lançado, no final de 2009, o livro História do Brasil com Empreendedores. Jorge Caldeira diz: “Havia um protoempreendedor no Brasil colonial, daí nosso PIB maior que o português”.
Se a releitura chegar à escola… o que Schumpeter diz do empreendedor?
Quando alguém inova, muda o mercado e as empresas se adaptam, subindo ao novo patamar da inovação. Só que muitas delas saem do jogo aí e ele chama a isso “destruição criativa”. Schumpeter diz que o novo sempre substitui o velho –o empreendedorismo é o novo.
Você acha que o período de regime militar piorou a situação?
Uma das principais ferramentas do empreendedor é a informação (ele tem de saber sobre mercados, concorrentes, fontes de matéria-prima, tendências, fontes de capital, projetos governamentais etc.) e ele a tem na democracia, não em ditaduras. Crescimento econômico acontece também em ditaduras, mas, se olharmos o mundo hoje, veremos que crescimento com qualidade de vida está visceralmente associado à democracia e à liberdade de empreender. O empreendedor real nunca é o estado, mas a sociedade civil, única que tem as condições necessárias: dinheiro, competência de gestão, capacidade de inovação.
Mas a tão empreendedora China é ditadura… É um paradoxo?
A China não é um modelo sustentável no longo prazo. Para continuar crescendo, ela vai ter de aumentar a educação e, ao fazê-lo, vai ter reivindicações de liberdade e justiça social. A China leva ao pé da letra o que o Ocidente sempre fez: transformar as pessoas em mais um fator de produção. O empreendedorismo vai frontalmente contra isso. Na própria Ásia não faltam exemplos: Singapura, Coreia do sul e Japão, que têm os pilares da democracia e elevado empreendedorismo, exibem altíssima qualidade de vida.
Então, por que o GEM já apontou o Japão na lanterninha da atividade empreendedora, e o Brasil está lá na frente, ao lado de Uganda e Bolívia?
Há muitas sutilezas nas métricas, por isso devem ser vistas com espírito crítico. Há estudos que indicam que, quanto maior foi o crescimento econômico de uma cidade, menor foi a taxa de empreendedorismo, por exemplo. A explicação é que as grandes empresas, que estão crescendo, oferecem um emprego razoável melhor do que a atividade do pequeno empreendedor. Isso é o que acontece no Japão.
Só que, quando o emprego é uma ideia cada vez mais abstrata, não basta…
Fato. O emprego é um conceito mal desenvolvido, cada vez mais percebido como provisório. É mera evolução da escravatura. Até a expressão mercado de trabalho vem de mercado de escravos; o patrão de hoje é o senhor de ontem. A relação de trabalho, na essência, é desequilibrada, porque não é uma relação social; tanto que máquinas substituem homens. O próprio Peter Drucker dizia, referindo-se a empregados de alto nível, que eles tendem a não se deixar subornar por ofertas de altos salários, fringe benefits, stock options; vão querer ser donos dos negócios.
Até agora falamos do espírito empreendedor. O que dizer sobre o capital empreendedor no Brasil?
É um problemão. Como diz o economista Mohamed Yunus, o dinheiro é um direito do ser humano do mesmo nível que alimentação, escola e moradia. No Brasil, o capital sempre foi voltado para as grandes empresas e até hoje, de alguma forma, é assim. Os investidores de risco vêm se multiplicando nos últimos oito anos, mas têm menos opções de investimento do que desejam, por falta de bons planos de negócios, e acabam focando as empresas-estrela.
O ambiente é mais propício do que foi…
Sim, um avanço é o trabalho de uma organização como a Endeavor, por exemplo. Mas, por todos os rankings, o Brasil ainda não é propício aos empreendedores. Em inovação, é pior: a associação de pesquisa das empresas inovadoras tem um dado segundo o qual só 0,26% das brasileiras são inovadoras. Até em intraempreendedorismo, que remete a empreender dentro das empresas e se reflete em ação inovadora, somos fracos: conforme o GEM, só 6% dos empregados inovam no Brasil –e é um cálculo otimista.
Suspeito que o intraempreendedor seja ainda mais raro. Estou errada?
Ele existe no discurso. O sistema de poder corporativo, baseado em comando e controle, imunizou-se contra ele, porque quem inova pode “atropelar” o chefe, o que é inconveniente.
Como isso pode mudar nas empresas?
Mudará quando elas forem horizontais e derem aos funcionários liberdade e “espaço de si”, para que se sintam à vontade. O Google é uma que dá esse espaço. A hierarquia é útil em estruturas como uma linha de produção, quando se quer ganhar escala, mas lima a capacidade de inovar.
Alguém já lhe perguntou sobre qual é seu sonho?
Possivelmente não, porque a cultura brasileira amarra as pessoas ao tempo presente, em vez de libertá-las para o futuro, representado pelo sonho. Nesta entrevista, Fernando Dolabela, da Fundação Dom Cabral, garante que a melhor chance de desenvolvermos um empreendedorismo brasileiro é ensinar a sonhar.”
“Uma das principais ferramentas do empreendedor é a informação e ele a tem na democracia, não em ditaduras.”
SAIBA MAIS SOBRE DOLABELA
Consultor e professor da Fundação Dom Cabral, Fernando Dolabela é considerado um dos maiores especialistas em empreendedorismo no Brasil. Publicou 11 livros sobre o assunto, entre os quais O Segredo de Luisa [Ed.Sextante], de 1999, em forma de ficção, reconhecido como o maior best-seller brasileiro na área, com mais de 100 mil exemplares vendidos.
Dolabela também criou alguns dos maiores programas de educação empreendedora do Brasil, da universidade à educação infantil. Suas metodologias de ensino são consideradas bastante inovadoras por tratarem empreendedorismo sobretudo como uma função do sonho e das emoções –conforme ele explica nesta entrevista- e, no sentido econômico, como instrumento de desenvolvimento sustentável e justiça social. Sua metodologia Oficina do Empreendedor, por exemplo, já implementada em cerca de 400 instituições de ensino superior, atinge cerca de 4 mil professores e 200 mil alunos por ano.
Proprietário da empresa de consultoria e portal Starta, Dolabela ainda desenvolveu dois softwares de planos de negócios muito utilizados por start-ups: “MAKEMONEY”  e “MinhaEmpresa”. Ele já prestou consultoria à Confederação Nacional da Indústria e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Entrevista a Adriana Salles Gomes, editora-executiva da HSM Management.

Pequim planeja investimentos para desenvolver seu próprio Vale do Silício

O programa de desenvolvimento da zona tecnológica é um dos pontos-chave do Plano Quinquenal. A Prefeitura de Pequim investirá US$ 7,6 bilhões para a comercialização de inovações tecnológicas

Por Agência EFE
Pequim desenvolverá a zona tecnológica do noroeste da cidade para transformá-la em uma referência internacional de inovação tecnológica, a exemplo do Vale do Silício californiano, informou nesta terça-feira (08/03) a agência oficial "Xinhua".
O programa de desenvolvimento da zona, chamada de Zhongguancun, é um dos pontos-chave do atual Plano Quinquenal, correspondente à política econômica chinesa entre 2011 e 2015 e que deve ser aprovado na próxima segunda-feira.
Zhongguancun já possui alguns centros de pesquisa tecnológica e é sede de várias empresas chinesas de hardware e software, mas ainda não tem renome internacional nem é a principal área do setor no país asiático, honra que recai sobre a cidade de Shenzhen, vizinha a Hong Kong.
Em 2009, Zhongguancunn gerou receita de 1,3 trilhão de iuanes (US$ 197 bilhões), e os planos de desenvolvimento da região esperam multiplicar o montante para 10 trilhões de iuanes (US$ 1,52 trilhão) em 2020.
Para isso, a Prefeitura de Pequim investirá 50 bilhões de iuanes (US$ 7,6 bilhões) para a comercialização de inovações científicas e tecnológicas que forem produzidas na zona, destaca o plano.
O projeto também fomentará o estabelecimento de até 300 empresas do setor na zona, que já concentra 19,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital chinesa. EFE 

Monday, March 7, 2011

Compras coletivas: 6 maiores sites concentram 82,5% das ofertas

Por Robinson dos Santos, do IDG Now!

Publicada em 04 de março de 2011 às 13h56
Atualizada em 04 de março de 2011 às 13h57

Levantamento feito pelo agregador Comune aponta concentração tanto em cupons vendidos quanto em receita, que se dilui fora dos grandes centros.

Um grupo reduzido de seis sites de compras coletivas foi responsável por mais de 80% dos cupons vendidos no Brasil em janeiro de 2011, aponta levantamento feito pelo agregador de ofertas Comunee divulgado nesta semana.
De acordo com os dados, que são coletados de forma automática pelos robôs do Comune, os seis maiores sites – ClickOn, Clube do Desconto, Groupon, Imperdível, Oferta  X e Peixe Urbano – venderam 82,5% de um total de 1,3 milhão de cupons de desconto oferecidos em janeiro.
Considerando as vendas em reais, a participação dos seis maiores diminui um pouco: 78,8% da receita vieram deste grupo, ante 21,2% do restante da lista de cerca de 200 sites considerada pela pesquisa.
O rol dos seis maiores sites não deve ser interpretado, contudo, como um ranking – a política do Comune é não revelar informações que possam revelar estratégias dos sites.
Duas listas
De qualquer forma, o grupo dos seis primeiros difere de outra lista, divulgada pelo site Bolsa de Ofertas, que aponta como líderes Groupon, Peixe Urbano, Clickon, Q.Pechincha e Desejomania, nessa ordem.

O Bolsa de Ofertas utiliza como critério do ranking as métricas de acesso contabilizadas pelo site Alexa.
“Para nós, não interessa tanto quem tem mais audiência e sim quem vende mais. Nossos robôs indexam o mercado de hora em hora, coletando dados sobre ofertas e cupons vendidos”, diz o diretor do Comune, David Reck.
O diretor explica que os porcentuais de participação variam pouco quando a amostra é ampliada de 200 para 500 sites. No entanto, fora dos grandes centros, a distribuição pode mudar basatante, alerta.
"Alguns sites regionais têm tíquetes médios mais altos e faturamento significativo", destaca Reck. "Um exemplo é o site Viajar Barato, que tem tíquete alto mas não necessariamente se destaca pelo grande volume de cupons vendidos."
Tíquete médio
Segundo o agregador, a receita total do 1,3 milhão de cupons vendidos foi de 65,7 milhões de reais, o que resulta num valor médio, por tíquete, de 50,53 reais.

O pico do mês ocorreu entre os dias 20 e 31, com a venda de aproximadamente 140 mil cupons – o número corresponde à soma das ofertas de todos os cerca de 200 sites incluídos na pesquisa.
Com 28 mil cupons vendidos, a oferta recorde do mês foi a impressão de fotos digitais e um álbum para fotos, de 34,90 reais por 17 reais. Apenas essa oferta resultou numa receita de 476 mil reais. O Comune não revela qual foi o site que veiculou a oferta.
“Pela receita de 65,7 milhões de reais apurado em janeiro, e considerando que o mercado ainda tem espaço para crescer, poderemos mesmo chegar ao 1 bilhão de reais de faturamento projetado para 2011”, prevê Reck.
Hotéis e restaurantes
Dentro dos sites de compras coletivas, os setores que mais se destacaram em janeiro foram os de hotéis e viagem e restaurantes e bares, aponta Reck.

A pesquisa também aponta aspectos das compras coletivas que precisam ser melhor definidos, conta o diretor.
“Uma das coisas é a fidelidade do anunciante. Pudemos constatar um mesmo anunciante ofertando em dois sites ao mesmo tempo, um com rodízio de pizza e outro com rodízio de carne”, lembra Reck.
A outra são as razões que levam a empresa a anunciar em sites de compras coletivas. “Existem vários outros fatores por trás da venda. Exposição da marca, capitalização a juro zero são apenas alguns deles”, cita o diretor.
“É preciso que o comerciante tenha claro o que espera da ação”, finaliza.

Fonte: IDGNow

Ícone pirata tenta fazer internauta pagar por conteúdo

DIÓGENES MUNIZ
ENVIADO ESPECIAL A HANNOVER


Apertar o botão "curtir" do Facebook toda vez que se cruza com conteúdo interessante na internet é bem fácil --para algumas pessoas, quase automático. O que o sueco Peter Sunde, 32, quer ver é você pagando toda vez que decidir que esse conteúdo foi bem produzido ou merece ser compartilhado.
Assim funciona o Flattr (www.flattr.com), empreitada promovida por Sunde na feira de tecnologia Cebit, que terminou no último sábado. Lançado no ano passado, o site de microdoações recebeu elogios de toda a parte. A revista de cultura digital "Wired", por exemplo, elegeu-o uma das grandes ideias para 2011.
Cofundador do Pirate Bay e, por isso, condenado judicialmente a oito meses de prisão (recorre em liberdade), Sunde diz que agora seu objetivo é ajudar pessoas a compartilharem dinheiro tanto quanto compartilham conteúdo.
"Temos muita informação, muitas possibilidades hoje em dia, mas a indústria está presa a uma discussão equivocada. Eles deveriam pensar em como tornar o conteúdo acessível ao mesmo tempo em que fazem disso algo lucrativo para os criadores", afirmou, para uma plateia de empresários e jornalistas.
Diógenes Muniz/Folhapress
Sueco Peter Sunde promove site Flattr na Cebit, feira de tecnologia em Hannover, no norte da Alemanha
Sueco Peter Sunde promove site Flattr na Cebit, feira de tecnologia em Hannover, no norte da Alemanha
LISONJEIRO
Flatter, em inglês, significa lisonjear. E a ideia por trás do site é que as doações não precisem ser muito maiores do que isso -um breve e descompromissado elogio.
Depois de subir uma determinada quantia para o Flattr (o mínimo são 2 euros), o usuário precisa decidir quanto vai deixar na sua carteira mensal. A partir daí, pode sair apertando os botões do Flattr que encontrar pela web. Ao fim do mês, o que estiver na carteira será dividido entre os "lisonjeados". Se não apertar nenhuma vez o botão, o dinheiro vai para caridade.
Para manter sua conta do Flattr em pleno funcionamento e continuar fazendo/recebendo doações é preciso jogar dois euros por mês no sistema --quem quer rir precisa fazer rir, lembra oportunamente o site. Além disso, 10% ficam com o mediador, "para manutenção do serviço".
Segundo Sunde afirmou na Cebit, a média registrada até agora é de de 5 euros a 10 euros doados ao mês.
DOAÇÕES SOCIAIS
Um dos objetivos do empreendimento é tornar o máximo de coisas "flateráveis", passíveis de receberem verba. Um blog, um post, um espaço de comentários de um blog, um vídeo, um software, uma foto, uma notícia e até mesmo algo físico, como um restaurante. Para este último tipo de material, o Flattr oferece os "QR codes", códigos de barra em 2D que, após serem impressos, interagem com celulares.
Diferentemente de serviços como Paypal, o Flattr mostra o que as pessoas estão doando e recebendo. É um portal de doações sociais, compartilháveis.
"Quando se trata de dinheiro, a internet ainda é uma ditadura. Mais ou menos como o Facebook", alfineta o criador do site.
Além de lembrar o botão "curtir", o Flattr também se parece com o famoso serviço Digg, que reúne rankings de links interessantes divulgados por seus usuários. Quanto mais recomendado, melhor posicionado o tópico fica nas tabelas. No Flattr, essas listas são divididas por assuntos (moda, carnaval...), formatos (fotos, vídeos...) ou por rankings temporais (mais recomendados na última semana ou mês, por exemplo).
Pelo menos por enquanto, o endereço tem maior fluxo de alemães e suecos --até mesmo jornais alemães começaram a colocar o botão de microdoação em suas matérias. De modo que brasileiros que se cadastrarem hoje talvez se sintam deslocados.
Sunde não divulga cifras de quanto dinheiro já circulou pelo Flattr. A primeira página do site, no entanto, informa que mais de 142 mil links já foram adicionados ao sistema e mais de 430 mil doações realizadas.
Veja abaixo um vídeo de apresentação da empreitada (em inglês).



Fonte: FSP